terça-feira, 7 de setembro de 2010

DIA 19 - UM PASSATEMPO


Quando eu era criança gostava muito de brincar de bonecas. Construía verdadeiras mansões com tudo que encontrava pela frente e passava horas e horas conversando com as bonecas, inventando mundos, histórias e vidas para elas, me divertindo.
Fui crescendo e os passatempos foram mudando. Junto com o crescimento físico e as mudanças no corpo, na mente e no comportamento chegaram os livros. Descobri a biblioteca pública e depois a do Ginásio, lá dentro uma infinidade de mundos, histórias e vidas descritos nos livros.
Eles, os livros, passaram a ser meus companheiros de todas as horas e com eles passei longos e maravilhosos tempos. Tempo de sol; tempo de chuva. Tempo de paz; tempo de guerra. Tempo de lágrimas; tempo de sorrisos. Tempo de aprender e tempo de ensinar.
Houve um período que “meio que dei um tempo” nos livros e fui fazer outras coisas para passar o tempo. Cresci muito nessa época também, aprendi outras coisas, interagi com outros mundos, histórias e vidas.
Mesmo assim, de vez em quando um livrinho pegava-me pelas mãos, olhos e mente e transportava-me para outras interações.
Nos últimos tempos os livros voltaram com toda força e desde o início do ano assumiram com toda propriedade seu lugar de passatempo na minha vida, mesmo agora que o tempo passou a ser artigo de luxo para mim, não consigo ficar muito tempo sem participar de um mundo, história ou vida, escritos por uma ou outra pessoa e transformados em letrinhas impressas em papel que tanto me encantam.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

DIA 18 - O QUE ME FAZ CHORAR


É meio que simples assim: a voz embarga, a garganta seca, o coração dá tipo que um soluço e as lágrimas, teimosas que são, deixam seu recanto escondido nos olhos e escorrem sob a face. Nas diversas situações em que essa cena digna de uma “Macabéia” acontece o pano de fundo é sempre o mesmo. O contexto, esse sim complexo como ele só, muda constantemente, mas o pano de fundo continua sendo único.

O que abstrai em mim as lágrimas, os soluços do coração, a impossibilidade de falar com minha voz grave e forte, o que me faz chorar são, definitivamente os sonhos.

Nesta dicotomia encontram-se os sonhos realizados, onde o banho de lágrimas tem em seu gosto agridoce a felicidade, o contentamento e o prazer como tempero. Mas encontram-se, também, os sonhos desfeitos, os impossibilitados de se realizarem, os abortados instantes depois de sua concepção e os impedidos de crescer e multiplicar. Aliás, nascer, crescer e multiplicar deveria ser regra máxima de todos os sonhos.

Só que não é assim. Os sonhos também morrem. Atrofiam, apodrecem dentro de corações.

Quando isso acontece, há de se expeli-los. Por ser algo tão delicado, simples em sua concepção e denso em sua existência, sua expulsão deve ser, no mínimo, um ato único e especial: lágrimas límpidas e puras, que em sua obra mágica, caracterizada de choro, transbordam os olhos e aproveitam para lavar também a alma, deixando-a novamente limpa para, em conjunto com o coração, iniciar novo processo de geração de sonhos.

domingo, 5 de setembro de 2010

DIA 17 - O QUE ME FAZ RIR


Eu não tinha mais que 04 anos. Não me lembro se já tinha ido alguma vez ao circo, mas tenho certeza que nunca havia visto um palhaço.
Fui levada pelas mãos do meu irmão. Se eu tinha 04 anos ele tinha 13. Eram muitas crianças. Acredito que na minha pequenez nunca tinha visto tantas crianças reunidas num mesmo lugar. O lugar era a quadra de esportes do Ginásio, a quadra velha. Naquela época ela não tinha cobertura nem arquibancada, a gente sentava no barranco mesmo e nos muros do entorno.

Quando cheguei e vi aquele monte de gente junta, num ambiente que não era familiar para mim, fiquei assustada, quis chorar, pedi para ir embora. Mas o Marcos foi carinhoso e disse que já-já começaria e que eu ira gostar. Era só ter um pouco mais de paciência.

Resisti ao desespero e logo depois ele chegou. Alegre, rindo, pulando, brincando e me divertindo. Ri, ri muito. Tive crises de riso daquelas que fazem a barriga doer.

Nunca mais esquecerei aquela tarde em que vi pela primeira vez um palhaço. Palhaço Carequinha. “E o palhaço quem é? É ladrão de mulher...”

sábado, 4 de setembro de 2010

DIA 16 - MEU MAIOR DESASTRE


Pensei bastante. Tentei encontrar uma história diferente, haja vista que essa eu já contei, mas não teve como. Meu maior desastre é público e notório.

Na época em que quebrei meu último celular estava batendo papo com o papai e disse assim, como quem não que nada: “Pai, quebrei meu celular.” A resposta pronta dele despertou-me para meu total desastre: “Outra vez minha filha?”.

O fato é que em menos de 01 ano dei cabo de 05 aparelhos. Um eu coloquei na máquina de lavar; outro se espatifou no chão em uns 20 pedaços; outro parou de funcionar assim, do nada, sem sequer aviso prévio; um quebrou o visor e o outro nem lembro mais.

Desta forma, assinei um acordo comigo mesma de que o atual aparelho é o último da lista. Se algo (qualquer algo) acontecer com ele, ficarei sem celular por um longo, longo tempo e que quem quiser falar comigo ou será pessoalmente ou terá que utilizar algum método alternativo (vale até pombo correio, o Hulligan vai adorar os pombinhos).

E olha que esse infeliz desse celular anda brincando comigo. Tem dias em que o visor fica de cabeça para baixo; outras vezes embaralha tudo; fica espelhado; apaga tudo... Mesmo assim, mantenho minha decisão firme e forte!

Vai entender, talvez sejam daquelas coisas que só acontecem comigo. Ou não!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

DIA 15 - UM TALENTO MEU


Cozinho bem! Também sou boa bordadeira. Pinto o 7 e o 17. Sou boa dona de casa, mãe dedicada, profissional preocupada com a qualidade do ensino. Entretanto, há um talento meu pouco conhecido, nada evidenciado no meu dia-a-dia, mas bastante valorizado por aqueles que já provaram dele.
Apesar de falar muito (falo pelos cotovelos, principalmente quando estou tensa), sei ouvir. Mas é ouvir de verdade, o que é dito em palavras, o que é dito com gestos, o que é dito com os olhos.
Há aqueles que não gostam muito desse talento meu, porque, geralmente junto com o ouvir, vem o falar e, uma pessoa uma vez me disse que minhas verdades doem. Sim, minhas verdades doem, mas não só em quem as ouve, às vezes elas doem em mim também.
Saber ouvir. Saber tratar o que se ouve. Saber quando ouvir. Saber dizer que ouviu (ou leu nos olhos) e saber cuidar de quem fala com você, dar carinho, atenção, um abraço, isso eu sei fazer bem.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010