segunda-feira, 27 de setembro de 2010

FERIADO

Feriados são dias especiais!
Não são como nenhum outro dia da semana, ou como sábado, ou como domingo, nem mesmo como as férias. Simplesmente, feriados são dias especiais!
 
Nos demais dias da semana, invariavelmente, nós temos afazeres específicos: temos que trabalhar ou ir a escola; temos que ir na academia ou caminhar no Empoçado; temos que fazer compras ou ir ao banco; temos que pagar as contas e passar na farmácia; ou, temos que fazer isso tudo ao mesmo tempo.
 
E os finais de semana? Bom, estes também tem seus afazeres específicos: temos que limpar a casa, fazer as unhas, o cabelo, cuidar das plantas, abastecer a geladeira, limpar o carro... sem contar a comidinha especial de final de semana, o culto dominical, a visitinha prometida... ai, ai...
 
Tem também as férias! Mas as férias são dedicadas ao descanso (se bem que eu já comprovei a ineficácia deste desígnio para as férias!), uma visitinha ao médico, a reforminha da casa, a viagem aos parentes que não vemos há muito tempo...
 
Agora os feriados são realmente dias especiais! São dias ímpares no meio da semana, ou no início, o que é melhor ainda! São dias em que não temos nenhum afazer pré-estabelecido. Nestes dias a rotina é totalmente alterada: não temos hora para dormir no dia anterior, nem para acordar na manhã seguinte; café da manhã? Tomamos na cama mesmo, assistindo desenho animado; o almoço pode ser qualquer coisa, afinal não é domingo para se preparar um banquete, nem outro dia da semana para se comer balanceadamente...
 
É, você há de convir, simples assim: Feriados são dias especiais!!!
 
Republicação devido ao Dia de Feriado Municipal Especial de hoje!!! 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

DIA 35 - PLANOS PARA OS PRÓXIMOS 35 ANOS

Planos... o que seria da nossa vida sem eles? Mesmo sabendo que nós apenas planejamos e que a execução não é por nossa conta, traçamos vários planos em vários momentos da nossa vida.


Outro dia uma amiga estava num dilema terrível entre trocar de carro ou casar. Agora a vejo todos os dias, feliz da vida, dirigindo seu carro novo.

Planos são assim, vamos elaborando eles, mas não damos conta da incompatibilidade de alguns, aí, em determinados momentos nos embaralhamos nas “encruzilhadas” da vida.

Até bem pouco tempo tinha minha vida toda planejadinha, nos mínimos detalhes. “Aí, do nada” um furacão passou por mim e fez tudo virar de pernas para o ar, uma tremenda confusão. Aos poucos estou colocando as coisas no eixo novamente, mas nada, nunca, voltará a ser como antes, nem mesmo os planos.

Tenho sim alguns planos bem arquitetados para os próximos 35 anos, dentre eles está cuidar de mim suficientemente bem para poder prolongá-los por mais, no mínimo, 35 anos. Está nos meus planos também ser feliz, mas feliz de fato, aquela felicidade palpável, que se sente quando se chega perto de alguém que a possui; aquela felicidade que a gente só consegue com o amadurecimento do corpo, da alma e através do Espírito.

E, de certo, não vou deixar de planejar nunca, porque tem uma velha frase de pára-choque de caminhão que diz que “a esperança é o vento que a gente precisa para tocar o barco da vida” e eu tenho um grande barco para tocar por um longo tempo e, portanto, precisarei de muito vento.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

DIA 34 - SONHO A REALIZAR

Uma grande amiga, há algum tempo me disse a seguinte frase: “Sua vida é única, não existe rascunho, não dá para você voltar atrás depois e passar a limpo o que não deu certo. O que você viver, já viveu e pronto, então seja feliz antes que seja tarde demais.”


Sábia ela. Sempre que estou numa situação conflituosa penso no que ela me disse e nas decisões que tomei a partir de nossa conversa. Muita coisa mudou na minha vida na época, muita coisa vem mudando de lá para cá. Não estou mais fazendo rascunho, estou escrevendo no original.

Fiz uma triagem nos diversos sonhos que tinha. Toquei alguns já vencidos, engavetei outros que estavam impossibilitados de realizar. Abandonei outros que não tinham mais razão de ser. Sobraram poucos, bem poucos, cinco ou seis. Mas destes, ainda terei que eliminar alguns, porque eles não são compatíveis.

Outro dia estava conversando com um amigo e disse a ele que encontrava-me parada diante de uma encruzilhada e que precisava decidir o caminho que seguiria o mais rápido possível, pois se permanecesse ali parada, as coisas deixariam de acontecer e fatalmente eu morreria na praia. Ele não entendeu nada, tão pouco eu fiz questão de explicar.

O principal sonho, ou objetivo, como preferir é criar minha filha, dar-lhe condições de andar com suas próprias pernas, encaminhar-lhe na vida. Estou trabalhando para isso, estou vivendo em função disso e os demais sonhos irão adaptando-se a esse, depois a gente volta a fazer um balanço e no final, espero ter escrito um best seller.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

DIA 33 - SONHO REALIZADO

Estávamos sentados na beira do rio pescando, papai e eu. Sempre que dava fazíamos isso. Às vezes descíamos o rio pescando de tarrafa, mas naquele dia tentávamos fisgar os peixes no anzol mesmo, com varinha de bambu e minhoca como isca.


Quase não conversávamos. Não precisava, sempre nos entendemos bem. Ficávamos ali horas e horas olhando a água, sentindo os bagres virem mordiscar a isca preguiçosamente, ele absorto nos pensamentos dele e eu nos meus, ainda pensamentos de criança, mas já com alguma substancialidade.

Eu não tinha mais que 12 anos e a música do rio e a dança das águas embalavam meus pensamentos. Não tenho a menor ideia do porquê, mas tenho total consciência de que foi ali que o sonho nasceu. Eu olhava para a água que ia passando e ficava imaginando como seria, um presságio talvez, um aviso daqueles que são para eu me preparar para uma situação que fatalmente vivenciarei.

Olhando para as águas do rio lembrava-me da história de Moisés, e como seria encontrar um bebê abandonado e levá-lo para casa, cuidar dele, dar-lhe amor, carinho, atenção, sustentar seu corpo, sua alma, seu espírito.

De fato o sonho nasceu ali, provavelmente inspirado por Deus, mas com certeza nunca mais saiu da minha mente, do meu coração. Ficou lá ganhando forma, corpo e me preparando para minha missão maior nesse mundo.

Seis anos depois ela nasceu e com mais seis meu sonho tornou-se real. Um sonho que nasceu no leito daquele rio, pescando bagres com o papai.

DIA 32 - MEUS 35 ANOS

Foram 12.783,75 dias (é possível contar 0,75 de um dia? Deve ser...). Não vou calcular horas, minutos, nem ao menos os passos que dei (esses seriam impossíveis de calcular). Para falar a verdade, nem sei por que calculei os dias, acho que queria saber mesmo quantos foram.

Pensei em fazer uma retrospectiva desses dias e colocar aqui, mas achei que viraria um livro, dada minha propensão para detalhes. Então sugeriram-me descrever as fases desses meus dias “não de uma forma triste, mas alegre e divertida”, mas a ideia também não veio.

Minha vida mudou muito nos últimos tempos e se é para falar de fases, acho que essa é uma das melhores, daquelas onde a gente realmente consegue abrir os olhos e ver as verdades que nos são escondidas, não por alguém, mas por nós mesmos.

Mesmo tendo aprendido a dar conta da minha vida desde cedo, só senti o verdadeiro peso dessa situação agora, prestes a fazer 35. Talvez porque agora eu tenha que dar conta, sozinha, da vida de duas pessoas. Só que isso não é negativo, muito pelo contrário, me fez crescer ainda mais. 

Vejo as pessoas com outros olhos, as situações por ângulos diversos, os problemas por perspectivas inferiores e a vida com mais brilho, mais cor, mais som, mais textura e até mais perfume.

Aprendi a valorizar todos os momentos como especiais, todas as pessoas como possíveis amigas, todas as divagações como possíveis aprendizados, todos os dias como mais uma oportunidade para viver uma nova aventura e ser feliz. 

Acho que é isso. Jamais poderia imaginar há 10, 15 anos como se desenharia minha vida hoje, mas posso dizer que gostei do curso que as coisas tomaram e melhor ainda, que este curso está delineando uma nova vida pela frente, cheia de expectativas e a certeza de que o mundo é mesmo um lugar muito bom de viver, depois que aprendemos algumas lições.

domingo, 19 de setembro de 2010

DIA 31 - UM DIA ESPECIAL

Eu tirei a tarde toda de folga. Almoçamos rapidinho, passamos no fórum pra pegar a papelada e pegamos a estrada. 12 km e chegamos. 

A princípio o moço do cartório não queria atender-nos. Inventou um monte de desculpas, via dificuldade em tudo. Mas eu não estava disposta a desistir assim tão fácil, a cada nova desculpa e dificuldade eu oferecia-lhe uma solução. Foi quase uma hora de discussão, alguns telefonemas, ele foliou alguns livros velhos e empoeirados e decidiu atender-nos.

Sentamos num banco de couro surrado no pequeno espaço reservado para os clientes, mas não conseguia ficar parada. Senti fome e fomos a uma lanchonete próxima e comemos coxinha com coca-cola. 

Voltamos ao cartório comendo chips e sentamo-nos num canteiro no meio da rua. Ali conversamos amenidades, coisas sem nexo, só para ver se o tempo passava mais depressa. Discutimos os valores nutricionais do chips e tentamos ligar para alguém, mas o celular não dava sinal na pequena vila.

O moço do cartório finalmente nos chamou. Conferimos todas as informações para ver se estava tudo de acordo e escolhemos a cor do documento: rosa.

De volta para casa eu não cabia em mim de tanta felicidade. Dez anos depois minha filha nascia legalmente para mim. Agora sim, era minha de fato e de direito e fez desse um dia mais que especial!

sábado, 18 de setembro de 2010

DIA 30 - UM DIA PERFEITO


Tem que ter sol. Também pode ter chuva ou pode até estar nublado. Mas tem que ter sorrisos de amigos, abraços apertados, um carinho despretensioso. Conversas agradáveis também ajudam, algumas piadas, divagações.

Um local onde eu veja o horizonte, onde eu possa correr, caminhar ou simplesmente sentar e contemplar. Ao fundo deve-se ouvir uma música suave, tocada por uma banda conhecida, o solo de violão do meu anjo ou o som incomparável do silêncio.

Por outro lado, posso estar sozinha em casa, na rede ou no sofá, e mesmo assim o dia será perfeito! Porque a perfeição de um dia, seja ele qual for, não depende em nada de mim. Depende de Deus que sempre me agracia com dias assim, mesmo que eu não consiga enxergar de imediato, mas Ele insiste e abre meus olhos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

DIA 29 - UMA BÊNÇÃO


Acordo cedo todos os dias. Não muito cedo, nada que se diga: “nossa, como é cedo!”, mas é cedo. Tem dias que o sol está brilhando do lado fora. Tem dias que tem um monte de nuvens no céu e elas se acotovelam para ter lugar lá em cima. Também teve dias em que chovia: chuva fina, chuva mais pesada, até trovoada já ouvi.

Independente do tempo que se faz, eu saio e vou dar conta da vida. Uns dias mais animada, outros mais preguiçosa. Tem os que dizem que tem dias em que estou de bico, mas insisto que é um determinado jeito de acomodar meus lábios que dá essa impressão, nada além.

Converso com gentes de todos os tipos. Falo bomdia, boatarde e boanoite. Para alguns sorrio, para outros apenas aceno a cabeça. Alguns, abraço apertado (dizem que meu abraço é muito bom!). A Jê diz que eu contagio quando estou alegre e desanimo quando estou triste.

É um corre-corre louco no trabalho. Pego estrada, poeira, mau humor de outros. Recebo sorrisos tímidos das crianças, desconfiança de alguns professores e vou levando como dá.

No final da tarde troco de função, de patrão, de prédio e continuo na labuta. Converso com outra pá de gentes. Faço cara de paisagem para uns, sou sincera com outros. Com alguma sorte recebo o convite para um lanche e o convidador aparece. Sempre tem alguém do outro lado da tela para ajudar o tempo passar e rir comigo de alguns absurdos que encontramos por aí.

Já final de noite retorno pra casa (silênnnnncio...). Nas noites frias quase não tem ninguém na rua, agora que está esquentando, tem alguns gatos pingados por aqui e ali. Na maioria das vezes meu bebê já está dormindo e esse também é meu destino. Um banho quente de “imersão” e uma cama quentinha e macia para renovar as forças para a bênção de um novo dia.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

DIA 28 - UMA ORAÇÃO

Todas as noites, quando ia dormir ela dizia: "Faça sua oração." Então, fazia o sinal da cruz e recitava baixinho, inaldível aos ouvidos humanos, mas perfeitamente compreensível ao Onipotente, com o qual adormecia conversando.

Com Deus me deito,
Com Deus me levanto,
Pela graça Divina,
Do meu Divino Espírito santo,
Amém!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

DIA 27 - REALIZAÇÃO

Protelei bastante para escrever esse texto, afinal não me sinto totalmente realizada. Mas quando é que me sentirei? Tem uma história que diz que esperamos crescer para nos sentirmos felizes, depois aguardamos por conhecer o príncipe encantado, formar na faculdade, iniciar no emprego dos sonhos, casar, ter filhos, ver os filhos formados, aposentar... e por aí vai.

Quando adolescente escrevia frases na minha agenda (hoje escrevo num blog, quanta evolução!) e tinha uma que dizia “que a esperança é o vento que a gente precisa para tocar o barco da vida”. Esperança, barco, vida...

Realizar é tornar algo real é colocar em prática, é efetivar. Acontecer!
Nestes quase 35 anos de existência nesse mundo, já efetivei muitos sonhos. Já tive que adaptar outros tantos para que eles se tornassem reais e fiz acontecer uma infinidade de coisas que em seu curso normal, fatalmente não aconteceriam.

Então, a realização não pode ser uma. Caso contrário meu barco vai ficar parado em alguma baía (ou em alto mar, o que seria bem pior). Viverei, desta forma, a cada dia, uma nova realização. A cada empreitada um novo acontecimento. A cada momento a esperança a oportunidade de colocar em prática mais um sonho meticulosamente elaborado.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

DIA 26 - TRABALHO

É meio complicado de explicar. Alguns dizem que o nome é perfil, mas eu acho que tem mais a ver com amor, carinho, dedicação. Dom mesmo. O que posso dizer é que no meio deles sou outra pessoa. Totalmente livre, leve, solta. Totalmente à vontade. Totalmente feliz.

No início eu ficava meio tímida, ia destravando aos poucos. Uma conversa aqui, uma brincadeira ali. Um abraço acolá. Hoje a situação é outra. Sou reconhecida sem mesmo reconhecer. Recebo abraços solitários e abraços coletivos (que quase me derrubam), sento no chão, conto histórias, faço caras e bocas, canto, danço e transfiguro-me de personagens que me encantam mais que os encantam.

Invento brincadeiras que perduram tanto ao ponto de deixar os professores loucos. Faço parte do universo deles, mesmo que só um pouquinho. Tento entrar nos seus mundinhos e mudar alguma coisa lá dentro. Fazer alguma diferença. Proporcionar algum bem que dure mais que algumas horas, talvez uma vida inteira (se eu for bem sucedida e der sorte).

De todos os trabalhos que já fiz até hoje, de tudo que aprendi, de tudo que ensinei, o que me dá mais prazer, o que me faz sentir feliz, o que me permite sentir-me viva e parte do mundo é ser pedagoga desses pequenos que tão pouco tem em relação ao material, mas que possuem em abundância em relação ao sentimento, ao existir, em relação ao humano, em relação ao amar.