quarta-feira, 7 de abril de 2010

SENTIMENTOS


Há algum tempo venho ensaiando escrever sobre um sentimento que tem tomado conta de mim, do meu corpo, do meu coração, da minha mente, da minha alma. Mas como escrever sobre um sentimento que não se define, não se exprime, que pouco, ou nada, se conceitua.

É apenas uma dor que sinto no fundo do peito, às vezes do lado esquerdo, mas quase sempre do lado direito. Uma dor que de tão forte embarga a voz, anuvia os olhos, estremece as pernas, esfria a espinha, embrulha o estômago. Sente-se, mas não se explica.

Teve um poeta (Rogério Brandão, médico por formação) que disse que ela “é o amor que fica”, mas e quando ela vem antes, antes do amor, da experiência propriamente dita, como explicaria esse fato o poeta?

Como disse, só hoje consegui parar para organizar este sentimento em minha mente e transformá-lo em palavras. É que, especialmente hoje a dor é diferente, é de uma saudade dupla, que não reside só em mim, reside também em outro coração. E de tão grande que está, o reflexo de sua dor está chegando até aqui e não apenas o lado direito do meu peito está doendo, como também o esquerdo, acompanhado de todos os outros sintomas prolixos da saudade.

Não sei explicar como sinto, só sei afirmar que sinto: a sua saudade tão profunda que virou dor, te afastou da realidade e te faz vagar sem rumo em busca da estrada que outrora você seguia, mas da qual se desviou, afastou-se e de tão longe que foi, se perdeu e não pode mais retornar.

É, talvez saudade seja mesmo o amor que fica. Talvez até, eternamente.

2 comentários:

  1. A saudade é mesma enigmática, minha querida...
    Acho que sinto saudade de alguns sonhos que não realizei, de amores que não conquistei, de sabores que não desgustei... sei lá...

    ´é o amor que fica', porque é o que perpetua, que permanece do que se ama, independentemente de realização, de presença, de concretização...

    Viajei, né? Isso é saudade: é sair de si em busca do que se ama, mais ou menos assim...

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  2. Concordo com a Regina.
    Tenho saudade de todas as ex-namoradas... até da primeira, que inclusive mantenho contato até hoje, depois de 15 anos, distante 4500 quilômetros. Mas não vivo de passado, e faço esse sentimento virar uma espécie de nostalgia saudável. Saudade da infância, etc.
    Muita sensibilidade no seu texto, Patrícia! Não estou apto a tecer comentário à altura...

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