domingo, 31 de janeiro de 2010

1.000


Meu primeiro post neste Blog foi no dia 24 de abril de 2007. Nele revelei o meu prazer pela leitura e pela escrita, mesmo sem muita noção do que escrevia, das frases que construía nos textos sem correção, ou mesmo sem uma segunda leitura para uma mera verificação ortográfica. Era só um espaço para colocar meus textos, tentar organizar aquilo que sempre povoou minha mente, as ideias que ficavam vagando no meu cérebro até ganharem corpo em forma de palavras. Talvez por isso a escolha do nome deste Blog tenha sido ‘Belas ideias’ (na época ainda com acento, hoje, de acordo com as novas regras ortográficas).

De lá para cá foram dois anos e nove meses. Inúmeras coisas aconteceram neste período. Foram coisas incontáveis e coisas que dividi com aqueles que privilegiaram-me lendo meus textos, que a cada dia (modéstia a parte) vem melhorando.

Esta melhora eu devo ao incentivo de todos que por aqui passaram e que hoje contam 1.000 novos acessos.

Este incentivo me fez buscar além de inspiração o apoio de meu anjo da guarda que com todo seu conhecimento de Licenciada em Língua Portuguesa vem me ensinando as milongas desta língua tão linda, mas ao mesmo tempo tão cheia de meandros que nos confundem, principalmente quando a mente é mais rápida que as mãos e boca na articulação das palavras escritas e/ou faladas.

Neste período foram postados 72 textos entre crônicas, contos, poemas e outros mais. Uns foram comentados, outros apenas lidos, uns mais, outros menos.

Cresci como escritora (se é que posso me considerar uma); cresci como pessoa (essa sim, tenho certeza que sou!); aprendi a colocar meus sentimentos nos meus textos, minhas emoções nas histórias que registrei, nos contos que narrei, nas crônicas que subtraí do cotidiano. Minhas vivencias e convivências foram aqui retratadas de formas diversas, pura e simplesmente, ou usando de fantasia, poesia, ficção, realidade.

Acima de tudo, conheci pessoas, ouvi suas opiniões, sugestões e críticas; deixei-me conhecer por elas, nos aproximamos, deixei-os entrar, de modo que me compensaram com sua presença, companhia construtiva e doce. Tornei-me mais próxima de um universo que sempre amei, que sempre me encantou e que vem me proporcionando incomensuráveis prazeres.

Como disse o poeta uma vez: "Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada” (Kalil Gibram).

Acho que é isso: obrigada a todos aqueles que por aqui passaram, gostaram e continuam passando.

Obrigada à filha mais perfeita que Deus poderia ter feito para mim por sempre confiar e acreditar que sou capaz.

Obrigada ao meu anjo da guarda que nunca cansa de repetir as regras que eu sempre esqueço.

Obrigada ao meu outro anjo que sempre me emociona com seus comentários e poemas, além de ter me incentivando a olhar para este estilo literário com outros olhos.

A Deus, toda honra e toda glória.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

COISAS DA VIDA


Do que é feita a vida afinal? Do que ela se caracteriza, como ela se constitui?

Tem um ditado que diz que a beleza não está no cume da montanha, mas no caminho que percorremos para chegar até ela.

Na vida vivemos em busca de algo, tentando alcançar objetivos, adquirir bens, conhecer lugares, amar pessoas... acreditando que ao realizarmos alguns desses, ou todos eles, ali encontraremos a nossa felicidade, o prazer da vida, a essência do ser, do existir.

Nesta ânsia de buscas e conquistas, não notamos que a tão almejada felicidade, prazer da vida, essência do ser e do existir estão, exatamente, no caminho percorrido até o ‘cume da montanha’.

Como é gostoso imaginar algo que se quer, projetar a aquisição de um bem, planejar aquela viagem ao lugar dos nossos sonhos, nos apaixonarmos e usarmos todo nosso poder de sedução para conquistarmos a pessoa amada.

É, a vida então é feita de momentos, caracterizada por situações constituídas de fortes emoções que vão agrupando-se e montando individualmente a nossa trama existencial.

O complicado nisso tudo é que nem sempre nos damos conta deste fato e/ou quando damos, ele habita nossa consciência por um tempo determinado e depois é novamente relegado ao esquecimento e à angústia de simplesmente estar no ‘cume da montanha’.

PS: Sei que poderia ter aprofundando mais nos meandros que nos levam a compreender as 'coisas da vida', mas acredito que cada um deve buscá-los dentro de si echegar às suas próprias conclusões a partir da constatação dos mesmos.

Dedico ao meu anjo, que me ama exatamente como sou e nem por isso deixa de trabalhar para me ajudar a me tornar uma pessoa melhor.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

HISTÓRIAS DE AMOR


A mãe de uma amiga uma vez nos disse, diante de uma reclamação da filha sobre sentir frio, que este é psicológico e que “mulher elegante não sente frio”.

Guardei este conselho de uma sábia e elegante mãe por muito tempo e, de certa forma, o transferi para outras situações também. Assim como o frio e o calor, por se tratarem de sensações e, portanto psicológicas facilmente controláveis, passei a acreditar que o amor, também uma sensação [ou sentimento, como preferir] poderia encaixar-se na categoria do ‘psicológico’ e, também ser controlável.

E lá fui eu vida a fora controlando [ou fingindo, muito bem, controlar] meus sentimentos.

Amar ou deixar de amar nunca foram tarefas difíceis. Era só desligar a tomada e pronto, tudo estava resolvido. Um amor era sobreposto por outro e a vida seguia seu curso.

Não estou dizendo com isso que não sofri. Nada disso. Sofri sim, sofri muito, em alguns momentos desejei até morrer. Mas era uma dor que, de certa forma, eu ‘queria’ sentir, como o frio às vezes. Eu o deixava me invadir e, masoquistamente, sentia prazer com ele. Quando já tinha sofrido o suficiente, puxava a tomada e pronto: cancelava o sofrimento. “Simples assim”.

Recentemente repeti o ato de puxar a tomada e desliguei um louco amor. Uma paixão gostosa que me devolveu o brilho nos olhos a tanto esquecido. Um amor prazeroso que me fazia correr, cantar, brincar, ser feliz. Puxei a tomada nem tanto porque quis, mas porque achei que fosse o mais adequado a fazer.

Não sabia que certos amores funcionam a bateria também, ou, neste caso, a torpedos de celular.

A página estava virada, o amor estava sendo sobreposto, a vida estava tranquilamente seguindo seu curso.

Qual nada, certos amores, os verdadeiramente certos, não podem ser controláveis. Podem, talvez, ficar adormecidos, mas no menor sinal de sinergia, reaparecem com toda a sua força, revirando as páginas, desorganizando as posições, alterando o curso da vida.

Realmente não é tão “simples assim”.

sábado, 16 de janeiro de 2010

MEU PRIMEIRO AMOR


Ele era loiro e tinha os olhos azuis. Seu sorriso era lindo e, como ele era carinhoso comigo. Passávamos todas as tardes juntos, eu me sentava no balanço e ele fica ali atrás me empurrando, ou simplesmente sentava-se no balanço ao lado e ficávamos conversando.

Em outro momento sentávamos em alguma sombra, batíamos papo, brincávamos e riamos muito. Não nos importávamos nem um pouco com os risinhos e comentários de nossos amigos. O mundo parecia ser feito só para nós e, portanto, nada mais poderia interferir na nossa felicidade.

Lanchávamos juntos e aproveitávamos o momento para fazermos planos para o futuro: íamos nos casar, ter uma casa grande com uma piscina enorme e brincaríamos nela o dia todo.

Eu tinha 05 anos e ele 06. Estávamos na Pré-Escola, ou Jardim de Infância como era conhecido naquela época.

Para ser sincera, não sei se os cabelos dele eram louros ou escuros, ou se os olhos dele eram azuis ou castanhos, mas todo o restante da história está muito vívido na minha mente, inclusive seu nome. Se eu me concentrar bem, consigo sentir o cheiro daquele primeiro amor.

No ano seguinte, quando iríamos para a primeira série, a família dele mudou-se para outra cidade e nunca mais ouvi falar do “meu primeiro amor”.

Depois dele vieram outros. Cada série cursada na escola, um amor maior que o outro, mas todos com uma característica única: seria para a vida toda.

Só para deixar as coisas bem claras, eram todas paixões platônicas. Muito platônicas. Não chegavam nem perto da relação que tive com “meu primeiro amor”. Estes que vieram depois sequer souberam o quanto eu os amava e o quanto eles eram especiais para mim.

O meu primeiro beijo aconteceu quando eu tinha 15 anos e, diferente dos outros amores para a vida toda, este durou mais que um ano escolar. Para falar a verdade, antes deste importantíssimo primeiro beijo acontecer, sofri três ou quatro anos escolares de uma paixão platônica incomparável. Aquela paixão que me fazia acordar nas manhãs frias, vestir o uniforme e ir para a escola. Aquela paixão que me fazia procurar a estante da biblioteca com os romances de Eça de Queirós. Aquela paixão que me fazia ficar acordada até meia noite ouvido as baladas do “Good Nigth Mundial”.

Aquele primeiro beijo me fez sofrer de amor por muitos anos, mas não foi o último sofrer por amor. Houve outros amores para a vida toda, e ainda guardo o gosto amargo do último deles na minha boca, na minha alma, no meu coração.

Acredito que de uma forma ou de outra estamos o tempo todo procurando um amor para a vida toda, ou o verdadeiro primeiro amor. A Grê me disse que acredita que amor pra vida toda, na verdade, é o amor que a gente está vivendo naquele momento, quando não fica mais bom, trocamos por outro, até que um dia nossa história termina e aquele com o qual estamos representa toda uma vida, ou pelo menos uma parte importante dela.

Amar é muito complicado. Dói. Mas fomos feitos do amor e para o amor, por isso estamos sempre a procura dele, buscando por ele. Neste momento meu coração anseia por um primeiro amor, sobretudo que seja para a vida toda, mas minha mente racional não que mais saber de dores e complicações. Então decidi deixar que os dois travem esta batalha sozinho e me avisem, depois, qual dos dois venceu para que eu possa continuar meu caminho.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

COISAS SÉRIAS


Li uma crônica do Prata recentemente onde ele dizia que seu pai, desde 1991 não fala mais de coisas sérias e que, todas as vezes que o telefone tocava e ele via que era seu pai, sabia que viria uma boa conversa dali.

Naquele momento invejei enormemente Mário Prata. Como deve ser bom não falar de coisas sérias. É, porque não falar de coisas sérias implica, também, não pensar em coisas sérias, não vivenciar coisas sérias, enfim, viver uma vida mais leve, com mais coisas resolvidas do que para resolver, com menos cobranças, sem pressões do cotidiano, sem stress do trabalho, dos vizinhos, da família.

De posse da minha inveja, estudei diversas formas de imitar o Prata Pai. Primeiro comecei com meus amigos do MSN, depois estendi para minha filha, tentei inserir no trabalho também. Mas, por mais que eu não quisesse falar em coisas sérias, elas ainda eram bem presentes na minha mente, circulando de lá para cá, mexendo em todos os arquivos de lembranças que guardo com tanto cuidado no recôndito da minha mente.

Então, como se faz com experiências não tão bem sucedidas, decidi-me por guardar esta ideia junto com as outras, e também com as lembranças, lá no escaninho da mente, para que quando tivesse um pouco mais de assuntos resolvidos na vida, um pouco mais de liberdade para não pensar em coisas sérias, pudesse de fato imitar o Prata Pai e ligar para minha filha apenas para ter boas conversas.

sábado, 9 de janeiro de 2010

OS BONS MORREM JOVENS


Já dizia Renato Russo que “é tão estranho, [mas] os bons morrem jovens”. Entretanto, por mais que eu tente e que o tempo faça sua parte, eu não consigo entender. Aceitar sim, não há opção para isso, mas entender não é assim tão fácil.

Sempre que me lembro de você, lembro-me do seu sorriso largo, sua voz melodiosa, suas brincadeiras, sua alegria irradiante, sua leveza de ser. Em minha lembrança só recordo de lágrimas percorrendo seu rosto uma única vez, e naquele dia você me abraçou apertado e disse que mudaria sua vida.

A tristeza não fazia parte do seu dia a dia, mas ela lhe fez uma visita num momento em que nós nem desconfiávamos, mas era em meio a uma situação criada por Deus com o objetivo de nos prepar para a sua partida.

Aceito, mas não entendo. Isso não.

Você nunca pareceu tão maduro quanto naqueles dias. Estava tão consciente de sua necessidade, de sua vida, de nós em seu contexto... mas você “acabou indo embora, cedo demais”.

Em seus olhos cor-do-céu podia ver a sabedoria não compreendida, o jeito de ver a vida da forma mais simples possível, de resolver os problemas sem grandes complicações, de enfrentar o desconhecido, se aventurar, sem falar na necessidade de viver intensamente todas as emoções, se possível ao mesmo tempo, pois parecia que você não teria tempo de esperar cada uma à sua vez. E não teve mesmo.

Aceito, mas não entendo e “continuo aqui. Meu trabalho e meu amigos. E me lembro de você dias assim: dias de chuva, dias de sol. E o que sinto, não sei dizer...

Vai com os anjos, vai em paz”!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Resenha de Janeiro - "Verão Escaldante"

Esta é a resenha da minha amiga Regina (mas podem chamar de Rê). Como tudo que provém dela, a resenha tb é super diferente e ela não conta o final do livro. Confiram:

Quando gostamos de um filme, vemos várias vezes, não é verdade? E quando gostamos de um livro, repetimos quantas vezes a leitura do mesmo?

Não sei se por aqui (entre os participantes do ‘Desafio Literário 2010), alguém já leu algum livro de que tenha gostado muito, inúmeras vezes. Isso já ocorreu comigo.

Não cresci rodeada de livros, nem sempre gostei de ler e por incrível que pareça, enquanto estudante, lá pelos fins do magistério (sim, sou professora) lia muito... rsrsr... muito romance de banca apenas. E como gostava! Li muitos, mas não li nenhum deles várias vezes e nem precisava... rsrs

Fiquei um bom tempo sem ler (outras leituras), até conhecer, na faculdade uma pessoa que tornou-se minha amiga. Ela gosta tanto de ler que ainda criança tinha o hábito de ler dicionários, pode? (a propósito, é a dona da resenha anterior... rsrs)

Essa amiga falou tão bem do livro “O Pequeno Príncipe” que me fez querer lê-lo. Eu ameiiii!! (É o meu livro nº1) Depois ela até me deu um exemplar de presente. E eu já o li mais de umas 8 vezes... É o tipo de livro que cada vez que você lê, ele tem algo diferente a te dizer...

Depois de “O Pequeno Príncipe” vieram “O menino do dedo verde”, “Olhai os lírios do campo” “Helena”, “O Nome da Rosa”, a paixão por Drummond e a literatura na minha vida. Tudo indicação e influência do meu anjo de olhos-cor-de-mel.

O tempo passou. A vida mudou. Descobri outras paixões e assim ficaram para trás os romances de banca, até que descobri o ‘desafio’, decidi participar e como primeira indicação de leitura estava lá o tão amado, nos tempos de juventude, Romance de Banca.

Confesso que não tive nenhum critério na hora de escolhê-lo. Tenho uma amiga (outra) que tem vários e liguei para ela e pedi que mandasse alguns exemplares para que ‘o nosso grupo’ pudesse ler. Escolhi o meu romance pelo título e pelo ‘moço’ da capa, pode? Como estamos no verão e há dias em que está um calor insuportável, optei então pelo “Verão Escaldante”, para ver se conseguia fazer alguma relação com a minha realidade... rsrs

E assim foi feita a leitura do livro, buscando uma relação com a minha vida. Como ‘briguei’ com a Anne protagonista da história, como a xinguei de idiota e ingênua. Gente, pode alguém ver um cara (Jerry, o tal) pela primeira vez num bar, trocar meia dúzia de palavras e depois ir atrás dele, se entregar aos beijos e tudo mais (já de cara), passar em casa depois, pegar as economias dos pais e trepar numa moto e fugir com ele? Vocês podem não achar, mas achei isso um absurdo...rsrs. E depois fiquei pensando: “Se no início já rolou além das ‘preliminares,’ o que mais pode acontecer?” E é claro que o escritor (Paul May) soube conduzir isso muito bem, porque muita coisa aconteceu. E quem quiser saber o quê, de mais interessante, aconteceu nesse romance, vai lê-lo; ora pois, pois!!! (a tradução do livro é no português de Portugal, muito engraçado até, tem hora...)rsrs

Assim como fiz nas diversas vezes em que li o meu livro preferido, destaquei algumas frases que me chamaram a atenção no romance lido. Registro aqui para vocês a seguinte:

“Tanto no mar como na vida, os homens justos devem ajudar os náufragos”. A Anne, gente, ‘naufragou’ bastante nessa história, ai, ai... Nós também temos os nossos ‘naufrágios’ de vez em quando, não é mesmo? O verão para ela, foi por demais escaldante. Ah, se foi!! Mas também, cabeça dura como ela.

Detalhe: ela tem 20 aninhos, eu 33. Então não tem como brigar, né? A vida ainda vai ensinar muito para ela... rsrs