sábado, 11 de setembro de 2010

DIA 22 - A VIAGEM DOS SONHOS

Sempre fui muito falante e quando fico ansiosa, essa característica aflora ainda mais em mim. Deveria ter entre 04 e 05 anos, eram férias de janeiro e faríamos uma viagem todos juntos. Eu estava eufórica, conversava sobre tudo com todos, perguntava, relatava aventuras imaginárias, planejava em voz alta ações a serem realizadas.


Separei minhas melhores roupas, sandalinha, chinelo e minhas bonecas. Não poderia deixá-las sozinhas por tantos dias, afinal era sexta-feira e eu só retornaria no domingo a noite. Estava decidido, arrumei também a mala delas e as duas companheiras de todas as horas foram comigo.

Com muito custo, entre bolsas, sacolas, caixas e muitos agrados da roça (feijão, mandioca, tomates, couve, broti, fubá, etc, etc e etc.) para minha tia, entramos os quatro no fusquinha bege do papai e caímos na estrada.

Conversas, risos, implicâncias do Marcos, fita cassete no toca-fitas do carro (uma música de um macaco que aparecia no alto do morro, lembrança louca, coisa de criança), parada na Fazenda do Estado para comer coxinha com guaraná, e no final da tarde chegamos ao nosso destino.

Tia Shirlei nos esperava de braços abertos, beijos, beliscões na bochecha, tapinhas na cabeça e exclamações de “como você cresceu!”, mesa de café posta na cozinha.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas eu ainda não tinha aplacado minha euforia, motivo maior do nosso passeio. Desconfiada de meu desejo oculto e tranqüilizada pela irmã, mamãe autorizou-me ir com minha prima Marcela: “Só uma voltinha, ouviu?”

Alegre e saltitante seguimos pela rua de chão batido, atravessamos a pista de asfalto e lá estava ele, o mar, objeto do meu desejo. Não havia ninguém na praia naquele momento o que deixou nosso primeiro encontro ainda mais emocionante. Éramos só eu e ele.

Molhei os pés. Sorrateiramente sentei-me na beirada da praia e deixei as ondas terminarem de molhar minhas pernas. Senti o frescor daquela água salgada pela primeira vez e assinei ali mesmo, na areia, meu contrato de amor eterno à imensidão do mar.

Foram dois dias de uma paixão intensa e avassaladora e na tarde de domingo, depois de muita comilança e festejos familiares, entramos novamente no fusquinha bege e subimos a serra para voltarmos para casa. E meu amado? Ah meu amado... vez ou outra faço-lhe uma visita e fico a contemplar sua beleza, sua serenidade, seu vai e vem constante, sua permanência e fortaleza.

Um comentário:

  1. Sabe que eu não consigo me imaginar longe do mar??? Sou tão ligada a ele, que preciso saber que ele está ali, do lado, disponível, mesmo que seja só pra olhar. Mas quando dá... ah, eu me jogo inteira!!!
    Entendo perfeitamente sua paixão, e compartilho dela!

    Bjooo

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